terça-feira, 14 de agosto de 2007

amor em palavras simples...



O mais estranho, é que gosto mesmo de ti. Gosto moderadamente dos amigos e tolero os colegas, a porteira, a empregada e o antunes do supermercado. Mas de ti, gosto mesmo. A tua lembrança é um prazer que desliza, surripiando-me; chegas de repente, agradável como uma brisa quente ou uma boa notícia, e eu imagino-nos cenários, não amorosos nem eróticos, mas, antes, de circunstância: encontros fortuitos, casuais, um pequeno-almoço, um relance de carro, um telefonema, uma gargalhada, um encontro de pulsos, de tornozelos. Faço-o sem qualquer expectativa romântica ou intuito amistoso: és menos do que um amante e mais do que um amigo. Não que me sejas mais próximo ou íntimo, porque não o és, mas porque, mesmo longínquo, me exaltas e entreténs, ocupando o meu espírito movediço e centrando-o, como a perspectiva de ir de férias ou de casar amanhã. Não me iludo, não é disso que se trata: apenas te construo em mim, uma e outra vez, como uma primeira dentada antecipando a gula, lenta e deliberada. Nunca o esmaecer do teu rosto me angustia, antes, enleva-me e inspira-me, soalheiro. Há momentos em que te conduzo para sítios bonitos de cartaz, como jardins secretos e praias desertas, e onde te vejo ao meu lado como se estivesses mesmo. Ali, entabulo conversas, contradigo-te e acotovelo-te, deixando que me faças cócegas e me olhes longamente, como os casais nas fotografias. Encontro-te no estame de uma flor, na caruma dos pinheiros e na linha do horizonte: basta-me olhar com atenção. E cheiras sempre bem: uma mistura de pólenes, resinas e maresias, da qual sobressai o travo adocicado do desejo, quieto como as nuvens mais altas. Acima de tudo, enterneces-me. E é esta perenidade mansa, que não reconhece o escavar do tempo, que não pede retorno e se basta em si mesma, que às vezes me inquieta e assusta, nem sei bem porquê.


Uma homenagem a um blog que gostei muito...

domingo, 1 de abril de 2007

O LIvro dos dias


Ausente o encanto antes cultivado

Percebo o mecanismo indiferente

Que teima em resgatar sem confiança

A essência do delito então sagrado

Meu coração não quer deixar

Meu corpo descansar

E teu desejo inverso é velho amigo

Já que o tenho sempre a meu lado

Hoje estão aceitas pelo nome

O que perfeito entregas mas é tarde

Só daria certo aos dois que tentam

Se ainda embriagado pela fome

Exatos teu perdão e tua idade

O indulto a ti tomasse como bênção

Não esconda tristeza de mim

Todos se afastam quando o mundo está errado

Quando o que temos é um catálogo de erros

Quando precisamos de carinho

Força e cuidado

Este é o livro das flores

Este é o livro do destino

Este é o livro de nossos dias

Este é o dia de nossos amores


Renato Russo

segunda-feira, 26 de março de 2007

Regra de três


Não há no mundo lugar nenhum para saber como se comporta um ser humano que um terminal de ônibus...
Outro dia voltando para casa depois de uma aula daquelas bem cansativas depare-me com duas senhoras sentadas num desses banquinhos de praça do terminal de minha cidade, imaginem, duas professoras de uma universidade que trocavam assunto sobre a pós-graduação... Não que eu seja o mais intrometido e indelicado ser, mas escutei uma meia dúzia de suas palavras sim, e aquilo talvez tenha me deixado um pouco frustrado com os rumos de minha vida...
Sempre quis ser um professor, admirava meus mestres e até sonhava com a lousa, não foi o rumo que segui e hoje me pergunto se valeria à pena ter sonhado tanto. Duas senhoras que se perguntam qual a utilidade de uma regra de três simples em sua pós-graduação, é essa a cara da educação no nosso país!
Eu chamaria isso vergonha talvez, mas o fato é que não é só pelas palavras que eu ouvia enquanto pensava no futuro de milhares de crianças e no meu também, mas quando penso no quão inóspito é o ensino e a EDUCAÇÃO que dão aos jovens fico triste e como aquelas duas professoras me sinto incapaz de perceber a importância do saber...
Aos que sabem sobrou à facilidade de ludibriar a todos com seu conhecimento usado para roubar, denegrir e destruir a oportunidade de quem ainda deseja crescer intelectualmente. Onde estão os Sócrates? Os Da Vincis? Os Bethovens? Todos perdidos na podridão do descaso para com os colégios e universidades do nosso país.
E quanto à regra de três? A resposta e simples divida tudo que um professor ganha por tudo que ele tem a oferecer iguale ao quanto ele deveria ganhar dividido por “X” e a resposta da sua incógnita será, GREVE.
E de todas essas greves e manifestações que passamos durante cada ano a pior de todas e a greve moral pela qual passam nossos governantes, seres “responsáveis” pelo ensino, pela alimentação e pela vontade de milhões de pessoas de viverem dignamente, vivem em uma eterna greve moral pela qual defendem o nada, ou no mínimo o ilícito, o incorreto ou o antiético, eis aqui a pior greve pela qual passamos nesses sete primeiros anos dessa década no Brasil.
Agora eu pergunto por onde anda afinal os que assim como eu sonharam, ou sonham com uma base de vida formada pela educação?
A resposta está explicita no rosto de cada ser de bem, estão pegando o ônibus às 23 horas para voltar para casa depois de um dia todo de trabalho, para os que têm trabalho, e para os que nem isso consegue nesse mar de oportunidades chamado Brasil, estão dormindo de barriga vazia, com dor na consciência de não poder sustentar seus lares e ainda sonhando no dia em que os nossos educadores, gente formadora de opinião ganhará melhor que uma regra de três simples.

sexta-feira, 23 de março de 2007

O poeta


Escreve, e tudo é pensamento
Solitário tece seu pranto,
Escreve com dor e espanto,
No silêncio acha o momento.

Escreve, nesse inóspito riso
E quem ama o verso assina
Escreve, e minh’alma domina...,
De amor no céu aterriso...

Escreve, tece poemas de amor
Como uma Loélia perfuma
E se esconde entre a neve e a bruma.

Escreve, em pranto e em dor
E ama, é um poeta apaixonado,
E termina esse verso mal traçado.

A noite

Quem ama uma estrela
E um verso cintila
Produz uma névoa
Que o sol erradia
E jaz no riso,
Jaz no sonho,
Vive em meus versos
Que de amor proponho
E morre em abraços
Afagos tristonhos...

Quem faz de uma noite
O sol do seu dia
Produz uma estrela
Inspira poesia.
E jaz no vento,
E jaz no fogo,
E vive em canção
Que grita de amar
E morre em ação
Acordado a sonhar.

Quem canta pra lua
Uma canção de ninar
Produz uma brisa
Capaz de acalmar
E jaz no mundo,
E jaz numa estrela.
E vive eternamente,
Que jamais morrerá
A vida consente
Que eterno será...

quinta-feira, 22 de março de 2007

Companhias


Senta-te aqui comigo
a beira da lareira,
onde o fogo nos aquece
te encostas no meu ombro
e adormece...
Quando de caricias e
muitos afagos suspirar
inunda me num beijo
ao qual me custa respirar,
e vê como podes ser feliz
de espanto,
em pranto,
esqueça te de chorar...
Senta te aqui comigo
e de mãos espalmadas
talvez entrelaçadas,
mas unidas num sonho
e que seja bom,
que cintilante
brilhoso e amante
inunde minh'alma.
Vem sentar-te comigo
e faça do parceiro
o amante
do amigo o seu semblante
e que possamos ser um só
só mais um...nenhum...
Sejamos nós.
Senta-te aqui comigo
e nos amemos
como o vento sopra
a flor perfuma
E das nuvens
faça a bruma
num beijo de
almas enamoradas.

quarta-feira, 21 de março de 2007

emoção, emovere, emotion...


As emoções, com seus altos e baixos, dão cor à vida.( David Fontana )



A palavra emoção vem do latim emovere que significa abalar, sacudir, deslocar. Esta, por sua vez, deriva de movi, que significa literalmente: pôr em movimento, mover. Logo, emoção, antes de mais nada, significa movimento. Ou ainda, energia em movimento. Portanto, não devemos perder de vista o fato de que sem emoção, nada avança.Na psicologia ocidental, o termo “emoção” ainda está em discussão. “Enquanto na linguagem quotidiana os conceitos são compreensíveis, na linguagem da ciência reina confusão”. Uma vez que não existe em tibetano um termo específico para traduzir a palavra “emoção”, podemos encontrar atualmente livros em que Sua Santidade Dalai Lama debate com psicólogos ocidentais a utilização da palavra. Há interessantes discussões sobre o assunto nos livros Emoções que Curam e Como lidar com Emoções destrutivas, organizados por Daniel Goleman. Neste último, cientistas e psicólogos chegam a uma definição funcional: a emoção é um estado mental que tem um forte componente sensível. Mas o Dalai Lama esclarece: “O fato de existir um termo específico para definir emoção no pensamento ocidental não implica que se deu ênfase especial ao entendimento da natureza da emoção. Talvez inicialmente a motivação para rotular algo como emoção tenha sido valorizar a razão, identificando algo que não é racional”. O monge budista Matthieu Ricard, intérprete do Dalai Lama, esclarece ainda em outro trecho do mesmo livro: “A palavra inglesa emotion provém da raiz latina emovere – algo que põe a mente em movimento, tanto para atividades prejudiciais, quanto neutras ou positivas. No budismo, por outro lado, chamaríamos de emoção algo que condiciona a mente e a faz adotar certa perspectiva ou visão das coisas”.

Por Bel César

Este texto transcrito é um confronto da formas cientificas e espirituais de ver o termo emoção, a verdade é que na prática a palavra emoção ainda não tem um significado claro, amar, sentir, são alguns dos termos usados para definir os sentimentos humanos mas sinceramente estamos cada dia mais condenados a deixar de sentir, a deixar de amar, definir a palavra emoção na verdade pouco nos importa mas na verdade precisamos definir nossos sentimentos e o que queremos para nossos futuros emocionais e relacionamentos...Como Veríssimo diz num dos posts abaixo, - "é o quase que incomoda, quem quase amou não amou." Logo pouco util seria definirmos a palavra emoção se não definirmos o nosso desejo de construi-lá no nosso cotidiano